SEXUALIDADE HUMANA

O estudo dos gêneros começou nos anos 60 como tema de algumas lutas libertárias da época como:

Revoltas estudantis em Paris;

a primavera de Praga na Tchecoslováquia;

os Black Panters;

o movimento hippie;

as lutas contra a guerra do Vietnã nos EUA;

a luta contra a ditadura militar no Brasil

Essa década representa período onde surgem muitas questões sobre a sexualidade, dentre elas:

comercialização da pílula anticoncepcional;

o VALOR essencial da VIRGINDADE NO CASAMENTO para as mulheres;

o SEXO como fonte de PRAZER, além da reprodução da espécie;

Dos movimentos sociais que aparecem nesse período, dois chamam atenção para a questão da sexualidade:

o movimento feminista

o movimento gay.

Conceito geral que engloba todas as PROPRIEDADES

COMUNS QUE CARACTERIZAM um dado GRUPO ou

classe de seres ou de objetos. (Houaiss)

RELAÇÕES sociais desiguais DE PODER ENTRE HOMENS E MULHERES, que resultam de uma CONSTRUÇÃO SOCIAL DO PAPEL DO HOMEM E DA MULHER a partir das diferenças sexuais..

Gênero poderia ser um sinônimo de “sexo” como feminino e masculino?

Homossexual seria outro gênero?

Existiria um terceiro gênero que não se apoiaria sobre os dois sexos?

Papel de Gênero: O QUE NÃO É BIOLOGICAMENTE DETERMINADO e, portanto, MUTÁVEL CULTURAL E HISTORICAMENTE.

Identidade de Gênero(Stoller – 1978): “Conjunto de convicções pelas quais se considera SOCIALMENTE O QUE É MASCULINO OU FEMININO.”

O indivíduo busca um SER DIFERENTE COMO OBJETO DE DESEJO.

longe de expressar diferenças naturais, a identidade de gênero representa a supressão de semelhanças naturais.

a identidade de gênero masculina é ameaçada pela intimidade e pela dependência, enquanto a identidade de gênero feminina é mais freqüentemente ameaçada pela separação

As MENINAS desenvolvem sua IDENTIDADE DE GÊNERO quando SE IDENTIFICAM COM A MÃE, numa RELAÇÃO CONTINUADA com ela.

Os MENINOS, por outro lado, devem SE SEPARAR DA MÃE e das QUALIDADES FEMININAS para estabelecerem sua IDENTIDADE MASCULINA.

divide a identidade de gênero em três categorias:

Identidade de gênero nuclear: senso, consciente ou inconsciente, de relação a um sexo;

Identidade de papel de gênero comportamento explícito do indivíduo no relacionamento interpessoal;

Orientação de parceria sexual sexo de preferência como objeto de amor

Homossexualidade?

Seria um desvio da identidade de gênero, uma vez que o indivíduo não buscaria um outro diferente de si como objeto de seu desejo?

¨Uma determinada “IDENTIDADE DE GÊNERO” não precisa ter necessariamente um “OBJETO SEXUAL” prescrito.

Por exemplo, alguém pode se vestir, falar, se comportar COMO HOMEM no dia-a-dia, e ter PREFERÊNCIA SEXUAL POR UM OUTRO HOMEM, sem ter que necessariamente se comportar ou se vestir como uma mulher.

Diferença entre Identidade de Gênero e Práticas Afetivo-sexuais

1

Categoria que ilustra a diferença biológica entre homens e mulheres

o sexo é um fenômeno natural, com base instintiva,ou seja, biologicamente dado, embora sujeito à repressão

Conceito que remete à construção cultural coletiva dos atributos de masculinidade e feminilidade são os chamados papéis sexuais

De acordo com as análises de gênero a visão da sexualidade como impulso biológico instintivo é historicamente aplicada muito mais à sexualidade masculina, que domina e controla.

Categoria pertinente para pensar o lugar do

indivíduo no interior de uma cultura determinada

os homens têm medo do que eles percebam como ‘feminino’ neles mesmos (o que inclui falar sobre sentimentos e relações); as mulheres negam e reprimem seu interesse pelo sexo.

Conceito contemporâneo para se referir ao campo das práticas e sentimentos ligados à atividade sexual dos indivíduos.

dimensão simbólica que articula nosso corpo e nossa psique

densa zona de interação com outras pessoas

Quando aplicado à CONSTRUÇÃO DOS GÊNEROS

                                     HOMEM é ATIVO.

                                     MULHER é PASSIVA.

Atitude em geral, comportamento generalizado.

Se direcionado à CONSTRUÇÃO DA SEXUALIDADE

           IDENTIDADE DE GÊNERO + IDENTIDADE SEXUAL.

Atitude direcionada ao modo de agir no sexo, comportamento sexual.Assim se forma a BASE da sexualidade: O HOMEM VAI FAZER e a MULHER SERÁ FEITA

usar vestido;

ter gestos delicados;

falar mais mansamente que o homem;

 brincar de boneca;

ser mais passiva e pacífica que o homem;

chorar quando se está emocionada;

conceber e criar os filhos;

ter interesse maior pelas atividades domésticas;

se interessar menos pelo sexo que o homem;

se casar com um homem que possa protegê-la e dar-lhe filhos

Homossexuais, lésbicas, voyeuristas, prostitutas deviam ser imediatamente EXPELIDOS DO CONTATO SOCIAL e, se necessário, submetidos a TRATAMENTOS SEVEROS até que pudessem voltar ao convívio dos normais.

TODO INDIVÍDUO É PORTADOR DA BISSEXUALIDADE PSÍQUICA, ou seja, da possibilidade de desejar tanto indivíduos do mesmo sexo quanto do sexo oposto. A HOMOSSEXUALIDADE é UMA PERVERSÃO, consequência de uma imaturidade psíquica.

Quando nasce, o ser humano recebe um NOME que expressa um GÊNERO masculino ou feminino. Desde então, as relações envolvendo os próximos vão ‘moldando’ e construindo a SEXUALIDADE da criança.

CONTATOS CORPORAIS dessa criança consigo mesma e com os outros, identificando que partes podem ou não ser tocadas, e que partes devem ou não estar desnudas;

NOMES dados a homens e mulheres, a meninos e meninas, a partes do corpo;

O QUE PODE SER DITO em público ou em casa;

RELAÇÕES AFETIVO-SEXUAIS concretas entre gêneros;

O QUE É PERMITIDO para os diferentes gêneros, como atividades, roupas, modo de falar e de se comportar

uma dimensão ontológica essencialmente humana, cujas significações e vivências são determinadas pela natureza, pela subjetividade de cada ser humano e, sobretudo, pela cultura, num processo histórico e dialético (…) que deve ser empreendida, em sua totalidade e globalidade, como uma construção social que é condicionada pelos diferentes momentos históricos, econômicos, políticos e sociais

 

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ABORDAGEM DIDÁTICA

Vamos, inicialmente, nos aproximar do problema pela questão da relação entre o
corpo e a mente, tema de fundo desta conferência. Observemos nossas pressuposições que,
embora não percebamos, são quase de domínio consensual.
O ser humano possui uma base biológica que é a ‘nossa casa’. Ela abrange todo o
nosso corpo e todos os nossos órgãos. Esta casa biológica possui uma representação mental
que possibilita sua imagem unificada e uma série de interações com o meio ambiente,
visando à lei primeira da sobrevivência. O ambiente, portanto, faz parte de nosso corpo.
Isto se dá através de sua interiorização por meio da senso-percepção, a qual, o tempo todo,
é cotejada e comparada com representações que vêm de dentro de nosso corpo. Apenas um
grau mínimo destas operações de percepção são conscientes. A admirável maior parte é
advinda de um processamento inconsciente.
Uma comparação – possível hoje em dia, a título de exemplificação – é a que
podemos fazer com o computador. Aquilo que clicamos conscientemente, como as palavras
escritas deste texto, constituem o consciente. Tudo o mais – o hardware, o sistema
Windows, o MSN, o Outlook (e-mails), os írus, etc. – funciona inconscientemente durante
todo tempo em que as linhas vão sendo escritas. O computador atual é, no entanto, ao
contrário do psiquismo humano, uma máquina extremamente simples. O seu inconsciente é
inteiramente criado pela engenharia eletrônica e, usando uma lógica binária, deve funcionar
conforme o desejo do usuário.

O computador não se constitui em um sistema suficientemente complexo para gerar
propriedades emergentes, ou seja, propriedades que surgem aleatoriamente de situações
muito complexas, conhecidas como sistemas caóticos, nos quais caótico não quer dizer
desordem, mas sim possibilidades imprevisíveis. Este conceito tem a ver com a microfísica
quântica e com o modo como se operou a evolução, a qual terminou por dar origem ao
homem.
O eu, que é a sensação que todos nós temos de sermos alguém, de pertencermos a
lugares físicos e afetivos, constitui-se, então, no produto final de milhões de anos de
evolução animal, sendo uma propriedade emergente da complexa relação existente entre a
nossa casa biológica e nossa casa ambiental. No segundo momento, desenvolve-se um
sistema de representações chamado de linguagem a qual, por exemplo,o filósofo
Heidegger, denominava a casa do ser .
Existindo então o eu, isto implica que exista o outro . O outro faz parte de nosso
ambiente e de nossa biologia – meio ambiente ecológico – e, a partir de agora, de um
terceiro ambiente representacional: o ambiente psicológico. Três internalizações que,
interagindo, geram um emergente mais complexo: o psiquismo humano. Na verdade, esta e
outras divisões são meramente descritivas e topográficas, pois facilmente se vê a
circularidade do raciocínio. O corpo, sua pele, o cérebro, o ambiente ecológico, o ambiente
cultural e afetivo e o Eu constituem-se em dimensões diferentes, emergências diferentes do
mesmo fenômeno.
Nessa mistura do biológico, do ambiental e da alteridade do outro, opera um
conceito operacional: o Eu-pele. Este conceito, desenvolvido por Didier Anzieu,
psicanalista e professor emérito de Psicopatologia Clínica na Universidade de Paris2[2],
representa uma homologia entre as funções do Eu e as funções da pele: limitar, conter,
proteger. Do ponto de vista da pele, é um envelope que, além de ser um órgão, contém

todos os órgãos e, do ponto de vista do psiquismo, é um fino envelope que chamamos de
consciente, o qual contém todas as demais representações.
Este conceito Eu-pele permite enriquecer , por um lado, as noções de fronteira e de
limites e, por outro, apreender melhor uma realidade clínica complexa que ultrapassa as
relações triviais entre as afecções dermatológicas e/ou estéticas e as perturbações psíquicas.
Muito do modo de ser da personalidade normal ou doentia tem a ver com a própria
estrutura da relação corpo biológico/ meio ambiente/ o outro inicial que é a mãe.
Nada se passa no corpo que o cérebro e o psiquismo não saibam e reajam. Nada se
passa no psiquismo e no mundo emocional, também sem que o corpo e o cérebro saibam e
reajam. Mais que isto, estas dimensões interagem através de sutis mensagens químicas,
elétricas e mesmo quânticas. Se alguém tem uma psoríase, por exemplo, todas estas
dimensões estarão afetadas. Se alguém possui um desequilíbrio emocional, todas estas
dimensões estarão afetadas. É primitivo ver o ser humano como a soma de partes. O
médico, por isto, tem obrigatoriamente que possuir uma cultura transespecialista, o que,
aliás, é o fundamento desta reunião, pois só conhecendo este todo, é que podemos
tornarmo-nos verdadeiros especialistas. A falta deste conhecimento global tende a gerar tão
somente tecnólogos que, conforme o ditado jocoso, podem vir a conhecer tudo…sobre
nada!.
Com este pressupostos afirmados, sigamos adiante, discorrendo sobre a
interação dos ambientes percepcionais e o psiquismo.
Como estes ambientes formam-se e interagem? Ou seja, como funciona esta
máquina ao mesmo tempo imaginária e realisticamente palpável que é nosso psiquismo?
Esta máquina que habita várias dimensões, além do espaço ENTRE as dimensões, e que
somos nós?

A resposta é que ela funciona como se o que está guardado no envelope-pele, o que
está guardado no envelope-ambiente, o que está contido no envelope-outro, com todas as
suas bilhões e bilhões de informações, fosse colocado em um envelope muito maior. Para
nosso conhecimento, ainda precário, no início do século XXI, ele é quase um envelope
mágico, como se todas as informações possíveis sobre o mundo interno biológico e sobre o
mundo ecológico e sobre o mundo misterioso dos outros fossem computadas, cotejadas,
valorizadas, dobradas sobre si. Ou seja, fossem um sistema polidimensional com as
dimensões todas dobradas sobre si, de forma tão dinâmica e com tantas informações
quantas vocês podem imaginar. No nível primordial um modelo meramente químico
poderia ser o código genético, por exemplo.
Este envelope maior é o eu. Sua capacidade, de tão intensa prospecção e análise,
deriva de uma fantástica engenharia biológica, que, por sua vez, advém do seguinte
processo embriológico: unidos o óvulo feminino e o espermatozóide masculino, forma-se
um zigoto que evolui a um estágio chamado de mórula e, posteriormente, a outro
denominado gástrula. Esta gástrula toma a forma de um saco, pela entrada em um de seus
pólos, e passa a apresentar duas camadas de células: o ectoderma – de fora – e o endoderma
– de dentro. O ectoderma formará a pele, todos os órgãos do sentido e o cérebro.
O cérebro e a pele, que contém os órgãos do sentido, são, portanto, seres símiles e
de superfície. Com isto se complexificam as relações entre o que deriva do ectoderma e do
endoderma. Substâncias pombos-correio, que permitem ao orgânico comunicar-se com o
psíquico, são também produzidas pelo corpo da mãe e pelo próprio embrião.
Vejamos mais um pouco sobre a pele. A pele é o maior órgão do corpo humano,
aliás, um conjunto de órgãos diferentes. É de todos os órgãos do sentido, o mais vital.
Pode-se viver cego, surdo, etc. Mas nunca sem a integridade majoritária da pele. Sua
representação no psiquismo é a base deste grande envelope polidimensional que contém o

mundo interno e o mundo externo – como o marsúpio de um canguru. Ela surge, no
embrião, antes dos outros órgãos do sentido. Por isto, as crianças pequenas possuem
percepção espelhada: ainda não automatizaram o mundo externo como algo interiorizado,
ainda não dobraram nem enveloparam todas as dimensões.
São as sensações cutâneas que introduzem as crianças no humano. Elas constituem
um conjunto de enorme complexidade e difusão de sensopercepções existentes desde o
intrauterino e que vai despertando o eixo percepção-consciência-de si., como um arcaico eu
ainda parcialmente desenvelopado.
Podemos tapar os olhos perante algo que não queremos ver (negação), podemos
tapar os ouvidos perante o que não queremos escutar (repressão), mas não podemos impedir
a superfície da pele de sentir. Um cego, por exemplo, pode aprender o alfabeto através de
estímulos na pele.
Ela também respira, secreta e elimina elementos tóxicos. Ela é superficial e
profunda. Ela atrai, pelo tato, os investimentos libidinais, tanto os narcísicos como os
sexuais. É o lugar do bem-estar do bebê e da sedução do adulto. Ela emite mensagens
comunicacionais fundamentais para a realização humana.
A pele é chamada de “espelho da alma”. Por isto, a bronzeamos, usamos
cosméticos, pinturas e – com a bem-vinda tecnologia contemporânea – fazemos cirurgias
plásticas estéticas e podemos até vir a rejuvenescer de verdade, como prometem algumas
pesquisas com células-tronco. O corpo biológico fala por e através da pele.
Psicologicamente, costumamos esconder (reprimir) nossas questões não resolvidas.
Não costumamos, por exemplo, chegar para alguém e dizer “ando irritado e frustrado com o

envelhecimento”. Da mesma forma, não queremos que nossa pele nos denuncie. Ela é nossa
parceira mais íntima e privada e, ao mesmo tempo, nossa denúncia mais pública.
Agora, então, chegamos ao nosso ponto: considerações sobre a pele, a psicanálise e
a psiquiatria.
A pele, pelo cuidado materno, configura a imagem interna de pessoas que foram
bem cuidadas e acariciadas quando bebês. O olhar da mãe também acaricia e embeleza seu
bebê. O sentir a carícia sobre a pele e o sentir a carícia do olhar formam o núcleo do que é
esteticamente belo, valorizado. Aqui se trata de formar um narcisismo de vida. Dizer para
seu bebê: você deve sobreviver. Você é amado e acariciado. Você é belo.
Sócrates, na antiga Grécia, já dizia que “… tudo que, por alguma razão é belo, pela
mesma razão também é bom”. Assim o narcisismo inicial agrega-se lentamente a conceitos
também iniciais sobre ética e convivência social. Em privações precoces, que atrapalhem o
ciclo assim descrito, o suicídio pode ser uma tentativa imaginaria de restabelecer o primeiro
envelope amoroso com as primeiras sensações do que virá a se chamar amor.
É importante ressaltar que o eu não necessariamente é idêntico ao aparelho psíquico
representacional para muitos pacientes, devido aos ideais estéticos que encerram , como
vocês já sabem, a idéia de que ser belo também é ser bom…
Partes do corpo e/ou partes do psiquismo podem ser vivenciadas como corpos
estranhos. Aqui podemos estar falando desde um sintoma psíquico mais simples, por
exemplo, uma obsessão, que o paciente deseja tirar de si ou um pequeno defeito na estética
do nariz que o paciente não consegue reconhecer como sua imagem. Esta desproporção
pode alcançar, em nosso envelope psíquico, desde níveis absolutamente normais de
autovalor até níveis gravemente perturbados. Um exemplo deste encaminhamento do ideal

ao corpo – e não o contrario – é de conhecimento público: cantor norte-americano, até há
pouco tempo líder de vendas de discos, tornou-se praticamente um exótico transformista
racial.
A obesidade mórbida, que desorganiza todas as relações conteúdo/continente, é
também um exemplo de como a relação mente/corpo e pele/corpo fica completamente
destroçada e depois pode ser reconstruída a nível emocional e físico, com o envolvimento
de toda uma equipe interdisciplinar formada por clínicos, psiquiatras, psicólogos,
nutricionistas, cirurgiões e cirurgiões plásticos que se encarregarão de promover um retorno
estético ao corpo e ao psiquismo destes pacientes.
Ataques contra a própria pele, como arrancar-se ou arranhar-se, morder-se, etc.,
também são sinal de um voltar a agressividade contra o próprio eu, devido à incompleta
formação do aparelho psíquico. Em psicanálise, chamamos este amadurecimento de
formação do superego mais evoluído e discriminador – o que consistiria em todas as
dimensões bem dobradinhas no envelope psicocorporal.
O coçar-se até arranhar-se é, muitas vezes, uma irresistível sensação erótica no
coçar. Os machucados auto-inflingidos geram vergonha devido a este componente erótico
inconsciente e, portanto, secreto. As automutilações da pele, muitas vezes com piercings ou
tatuagens que são verdadeiras mutilações, também são tentativas dramáticas e dramatizadas
de restabelecer os limites do eu, de restabelecer o sentimento de estar vivo, coeso e intacto.
Finalizando, lembremos Silvia Plath, a poetisa e escritora norte-americana que se
suicidou, aos 31 anos, em 1963. Ela evocou a ausência de sua mãe quando foi ter um bebê,
escrevendo mais tarde: “…senti então, fria e sobriamente, como se estivesse longe sobre
uma estrela, separada de tudo…senti o MURO da minha pele. Eu sou EU. Esta pedra é
uma pedra: a fusão maravilhosa que havia entre mim e as coisas do mundo já não existia
mais”. Rasgara-se o envelope.

 

 

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DOENÇAS INFECCIOSAS E PARASITÁRIAS

J.S.S., 30 anos, pequeno agricultor, casado, natural e procedente de zona rural de Pombos, PE (zona da Mata, microrregião de Vitória de Santo Antão).

 

Queixa-se de febre e astenia há 1 mês.

 

A febre é irregular, não diária, não medida, acompanhada de dores pelo corpo. Sente-se “fraco”, com indisposição para o trabalho. Falta de apetite e sensação de plenitude gástrica pós-prandial há 1 semana.

 

Queixa-se ainda de episódios de fezes amolecidas, às vezes escurecidas. Tosse seca persistente. “Ínguas” em região inguinal. Perda de peso não quantificada no período. Urina normal.

 

Cultiva milho e mandioca. Nega tabagismo ou etilismo. Casos de diabete melito e hipertensão arterial sistêmica na família.

Cônjuge de 25 anos, saudável. Dois filhos saudáveis, de 7 e 5 anos de idade.

Mora próximo a um lixão, em casa de taipa, 3 cômodos para 5 pessoas. Vive com a família e com a sogra de 53 anos. Sem luz elétrica, sem esgoto. Costuma caçar tatus nas horas vagas e fazer piqueniques com a família em uma caverna. Consome água de poço. Banhos de rio na região. Presença de cães nas redondezas. A sogra cria 3 gatos.

 

Peso: 63 Kg; estatura: 1,60 m.

Ao exame, EG regular, eupneico, hipocorado (+), hidratado, acianótico, anictérico, afebril.

  • Pele sem alterações.

  • Linfonodos: cadeias cervicais palpáveis bilateralmente, com linfonodos medindo no máximo 1,0 cm no maior diâmetro, indolores à palpação, móveis; palpa-se linfonodo supraclavicular à direita, medindo 0,5 cm de diâmetro, indolor; linfonodos axilares palpáveis à direita (dois), indolores à palpação, menores que 1,0 cm; vários linfonodos inguinais palpáveis à direita, de até 3 cm de diâmetro, formando plastrão, dolorosos; alguns linfonodos inguinais à esquerda, de até 1,0 cm.

  • Boca: presença de cáries dentárias. Orofaringe normal. Otoscopia normal.

  • Ausculta cardiorrespiratória normal. FC: 78 bpm. FR: 16 ipm. PA: 120 x 80 mmHg.

  • Abdome plano, depressível, indolor à palpação; fígado palpável a 3 cm do RCD, macio, borda aguda; baço palpável a 4 cm do RCE, consistência diminuída.

  • Genitália e ânus sem alterações. Membros e colunas sem alterações. Consciente, orientado.

 

A respeito do caso, responda as questões 1 a 8.

 

  • Analise as assertivas:

 

  1. A febre, a anorexia e a perda de peso apresentadas pelo paciente são fenômenos patológicos mediados por interleucinas, como o fator de necrose tumoral a.

  2. O aumento do baço e do fígado apresentado pode ser explicado por uma possível insuficiência ventricular esquerda.

  • O paciente apresenta quatro cadeias linfonodais acometidas.

 

Assinale a alternativa correta:

  1. Todas as assertivas estão incorretas.

  2. As assertivas I e II estão corretas.

  3. As assertivas II e III estão corretas.

  4. Apenas a assertiva I está correta.

  5. Todas as assertivas estão corretas.

 

  • Assinale a alternativa incorreta:

    1. A hipótese diagnóstica de leishmaniose visceral é possível, porém pouco provável, pois, apesar de ser proveniente de região endêmica e existirem reservatórios animais potenciais nas proximidades, as dimensões do baço e do fígado não são compatíveis com a doença.

    2. A hipótese diagnóstica de enterobacteriose septicêmica prolongada é possível, pois o paciente é exposto à infecção pelo Schistosoma mansoni e a bactérias de veiculação hídrica, entre elas as do gênero Salmonella.

    3. A hipótese diagnóstica de paracoccidioidomicose é possível, porém pouco provável, pois o paciente provém de área de baixa endemicidade da doença.

    4. A hipótese diagnóstica de toxoplasmose é possível, porém pouco provável, pois apesar de ter contato com gatos, as dimensões do fígado e do baço não são esperadas na doença.

    5. Não se pode descartar leucose.

 

  • O paciente informa ainda que apresentou cerca de 1 mês atrás uma “ferida” no pênis, que resolveu espontaneamente. Está preocupado porque a lesão surgiu 1 semana após contato sexual com prostituta, sem uso de preservativo. Analise as assertivas:

 

  1. A elefantíase da genitália externa e a retite estenosante são possíveis complicações a que o paciente está sujeito.

  2. Podem ser observados os corpúsculos de Donovan – corpos ovais dentro do macrófago – no exame do aspirado linfonodal pela coloração de Giemsa.

  • O VDRL é o exame laboratorial mais apropriado para confirmação diagnóstica.

 

Assinale a alternativa correta:

  1. Todas as assertivas estão incorretas.

  2. As assertivas I e II estão corretas.

  3. As assertivas II e III estão corretas.

  4. Apenas a assertiva I está correta.

  5. Todas as assertivas estão corretas.

 

  • Analise as assertivas:

  1. A possível infecção do paciente pela Leishmania donovani pode ter se dado através de mosquito do gênero Lutzomyia várias semanas antes do início do quadro clínico.

  2. No caso da enterobacteriose septicêmica prolongada, a hepatoesplenomegalia apresentada pelo paciente pode ser explicada pela hiperplasia e hipertrofia de células que compõem o sistema mononuclear-fagocitário, como as células de Kupffer no fígado e os macrófagos no baço.

  • Na histoplasmose, que pode cursar com o quadro clínico apresentado pelo paciente, a infecção se dá pela aspiração das formas infectantes do Histoplasma capsulatum presentes nas fezes de morcegos.

 

Assinale a alternativa correta:

  1. Todas as assertivas estão incorretas.

  2. As assertivas I e II estão corretas.

  3. As assertivas II e III estão corretas.

  4. Apenas a assertiva I está correta.

  5. Todas as assertivas estão corretas.

 

  • Assinale a alternativa incorreta:

    1. A diminuição de uma ou mais séries (eritrocítica, granulocítica ou plaquetária) no hemograma, somada a hipoalbuminemia e hipergamaglobulinemia na eletroforese de proteínas séricas sugerem o diagnóstico de leishmaniose visceral.

    2. A elevação discreta de enzimas hepáticas pode ocorrer tanto na leishmaniose visceral quanto na toxoplasmose.

    3. A radiografia simples de tórax é útil na investigação diagnóstica tanto da histoplasmose como da paracoccidioidomicose.

    4. A leucopenia com linfocitose relativa no hemograma é sugestiva de enterobacteriose septicêmica prolongada.

    5. No Brasil, a leishmaniose visceral, assim como a malária, esquistossomose mansônica e tuberculose, são doenças infecciosas que compartilham uma estreita associação com causas ambientais, sociais e econômicas, e por isso apresentam persistência do perfil de morbimortalidade nos últimos anos.

 

  • Assinale a alternativa incorreta:

    1. O exame direto do aspirado da medula óssea pode ser útil no diagnóstico da leishmaniose visceral e da histoplasmose.

    2. Um exame positivo da reação em cadeia de polimerase (PCR) para leishmaniose diferencia infecção de doença.

    3. O diagnóstico específico da enterobacteriose septicêmica prolongada inclui o achado de ovos de mansoni e o isolamento da bactéria em hemocultura.

    4. O achado de infiltrado inflamatório linfomonocitário em biópsia de linfonodo é compatível com infecção pelo gondii.

    5. O teste de Widal é mais sensível no diagnóstico da febre tifóide do que na enterobacteriose septicêmica prolongada.

 

  • Em se confirmando o diagnóstico etiológico de leishmaniose visceral, assinale a alternativa incorreta:

    1. O paciente em questão apresenta distúrbio da imunidade celular e humoral.

    2. O paciente em questão apresenta sinais de gravidade.

    3. Deve ser feita notificação compulsória.

    4. Deve ser iniciado glucantime por via intramuscular, caso apresente contagem de plaquetas adequada.

    5. Espera-se que a hepatoesplenomegalia regrida por completo apenas após várias semanas de tratamento.

 

  • Ainda em se confirmando o diagnóstico etiológico de leishmaniose visceral, analise as assertivas:

 

  1. A reação intradérmica de Montenegro pode ser útil para avaliar o sucesso do tratamento, caracterizado pela reversão do efeito supressor da infecção na resposta celular específica.

  2. A alteração da fração globulínica na eletroforese de proteínas séricas é decorrente, dentre outras causas, do aumento de atividade do linfócito B contra os antígenos do parasita.

  • Assim como no caso da aids, da hanseníase e da tuberculose, a notificação do caso só deve ser feita após a confirmação diagnóstica.

 

Assinale a alternativa correta:

  1. Todas as assertivas estão incorretas.

  2. As assertivas I e II estão corretas.

  3. As assertivas II e III estão corretas.

  4. Apenas a assertiva I está correta.

  5. Todas as assertivas estão corretas.

 

  • Q.S., 35 anos, sexo masculino, relata que há sete dias vem apresentando micção dolorosa, sensação de mal-estar, ardor e prurido uretral. Refere também que pela manhã observa edema do meato e secreção purulenta, amarelo-esverdeada. Diante de tal sintomatologia é incorreto assinalar:

    1. Para melhor investigação do caso é necessária a análise do esfregaço da secreção purulenta pela coloração de Gram.

    2. Espera-se flagrar diplococos Gram-negativos, intracelulares, aspecto em grão de café nos leucócitos.

    3. A principal hipótese diagnóstica é gonorréia.

    4. Pode-se esperar neste paciente adenopatia inguinal e temperatura subfebril.

    5. Praticamente todas as mulheres afetadas apresentam sintomatologia bem expressiva.

 

  • No ambulatório de Dermatologia estamos realizando o exame físico de um paciente homem com 30 anos de idade, que apresenta em região da glande uma ulceração com fundo purulento e base mole. O paciente relata que a ulceração é dolorosa. Em relação a tal quadro o que é incorreto afirmar:

    1. Diante da suspeita de uma doença sexualmente transmissível, a sorologia para HIV e sífilis é imperativa.

    2. O cancro duro e herpes são diagnósticos diferenciais.

    3. A adenite inguinal observada após uma semana do surgimento do cancro é mais comum nas mulheres.

    4. À bacterioscopia observa-se bacilo Gram-negativo, intra ou extracelular, aos pares ou formando cadeias, com coloração bipolar com vacúolo central, compatível com Haemophilus ducreyi.

 

  • São características do protossifiloma, exceto:

    1. Geralmente múltiplo.

    2. Localização na área genital.

    3. Erosão ou ulceração.

    4. Involução em até 4 semanas.

 

  • Paciente de 35 anos de idade, trabalhador rural, procedente de Moreno, PE, chegou ao serviço queixando-se de lesões em dorso da mão esquerda e antebraço direito há cerca de 3 semanas. Relatava casos semelhantes na cidade que reside. Ao exame: apresentava 3 lesões ulceradas de bordas elevadas, fundo limpo e granulomatoso, localizadas em dorso da mão esquerda (uma lesão) e antebraço direito (duas lesões). Com relação ao caso descrito, podemos afirmar:

    1. Provavelmente não se trata de um caso de leishmaniose. O paciente apresenta mais de uma lesão ulcerada.

    2. As características das lesões sugerem uma piodermite. Devemos iniciar o tratamento com antibiótico sistêmico.

    3. Devemos solicitar uma pesquisa de leishmania nas lesões. Como as lesões surgiram há cerca de 3 semanas, é provável que a pesquisa seja positiva, caso trate-se de um caso de leishmaniose cutânea.

    4. Devemos solicitar, com urgência, uma biópsia da lesão. O diagnóstico histopatológico, no caso de leishmaniose cutânea é muito preciso.

    5. A epidemiologia deste paciente descarta a possibilidade de leishmaniose.

 

  • Paciente com 25 anos de idade, agricultor, referia história de lesão em perna esquerda há mais ou menos 2 anos, que cicatrizou após várias injeções aplicadas no posto de saúde. Há mais ou menos 3 meses, começou a perceber lesão em septo nasal acompanhada de rinorréia. Ao exame dermatológico apresentava: cicatriz ovalar, de superfície lisa, localizada em perna esquerda. Eritema e edema em septo nasal acompanhada de lesão vegetante em narina direita. Com relação ao caso clínico descrito, não podemos afirmar:

    1. Lesões de leishmaniose cutâneo-mucosa podem aparecer meses ou anos após o início da infecção.

    2. Caso trate-se de um caso de leishmaniose, a pesquisa de leishmanias realizada na lesão da narina direita provavelmente será positiva.

    3. Devemos solicitar uma biópsia da lesão vegetante. Um fragmento deve ser encaminhado para histopatológico e outro, para micologia. O diagnóstico diferencial deve ser feito com outras dermatoses, como a paracoccidioidomicose.

    4. A reação de Montenegro positiva não confirma o diagnóstico de leishmaniose cutâneo-mucosa.

    5. Mesmo sem tratamento, a lesão de inoculação da leishmaniose pode evoluir para cicatrização espontânea.

 

  • Menor de 5 meses foi trazida para atendimento com história de tosse em acessos há 14 dias, apresentando congestão facial e cianose perioral durante os acessos. O menor tomou 2 doses da vacina Tetra. A genitora tem 17 anos de idade e está tossindo há 4 semanas, após um quadro gripal. A mesma informa ter apresentado quadro de coqueluche aos 5 anos. Em relação ao caso é verdadeiro se afirmar:

    1. A genitora não está com coqueluche, pois tanto a doença como a vacina conferem imunidade duradoura.

    2. A genitora pode estar com coqueluche, pois o adulto pode apresentar quadro clínico atípico, dificultando o diagnóstico.

    3. O menor está transmitindo a doença, pois a transmissibilidade da doença ocorre apenas na fase paroxística.

    4. O menor corre maior risco, sendo a letalidade da doença maior nos menores de 5 anos.

    5. A vacina contra pertussis confere imunidade maior que 95%.

 

  • Menor de 2 anos foi trazida ao DIP Infantil do HUOC por apresenta febre moderada, queda do estado geral, dificuldade de deglutir e halitose, há 2 dias. O cartão de vacina informa apenas 2 doses da vacina Tetra (DPT e anti-hemófilo B). O menor tem um irmão de 8 anos sem esquema básico de vacinação. Após o exame físico com cuidadosa observação da orofaringe, foi levantada a hipótese de difteria. Em relação ao caso é falso se afirmar:

    1. A presença de pseudomembrana na orofaringe é manifestação clínica típica da doença.

    2. Após a doença é necessário vacinar o paciente, pois normalmente não confere imunidade.

    3. No irmão de 8 anos deve-se iniciar o esquema básico de vacinação utilizando-se a vacina DT em 3 doses com intervalos de 2 meses e mais 2 reforços.

    4. O doente e principalmente o portador representam fontes importantes de transmissão da doença.

    5. O tratamento do paciente visa neutralizar as toxinas e eliminar o bacilo do foco de infecção.

 

  • Sobre filariose, é correto afirmar:

    1. Indivíduos microfilarêmicos assintomáticos têm pouca importância epidemiológica devido à sua baixa carga parasitária.

    2. Linfangite retrógrada é uma das manifestações agudas mais características de filariose.

    3. O tratamento de escolha para a elefantíase filarial é a correção cirúrgica aliada às medidas de prevenção de erisipela.

    4. A densidade filarial pode ser avaliada pelo exame da gota espessa ou pela filtração em membrana de policarbonato.

    5. Og4C3 é um exame que identifica o genoma da filaria adulta.

 

  • Combinações esfero-cilíndricas são utilizadas para corrigir:

    1. Astigmatismo.

 

  • No processo de acomodação acontece:

    1. Contração do corpo ciliar, relaxamento da zônula e aumento da curvatura da fase posterior do cristalino.

    2. Contração do corpo ciliar, relaxamento da zônula e relaxamento do cristalino.

    3. Relaxamento do corpo ciliar, relaxamento da zônula e aumento da curvatura da fase posterior do cristalino.

    4. Contração do corpo ciliar, contração da zônula e relaxamento do cristalino.

 

  • São sinais da catarata senil as seguintes, à exceção de:

    1. Opacificação do cristalino.

    2. Baixa da acuidade visual.

    3. Ausência de dor.

    4. Descolamento de retina.

 

  • Das seguintes asseverações assinale a resposta correta:

 

  1. A ulcera de córnea por gonococo pode levar a perfuração da córnea.

  2. A síndrome de Marfan se associa com subluxação do cristalino.

  • A catarata congênita se caracteriza por ter evolução rápida.

 

  1. Só I é correta.

  2. Só II é correta.

  3. Só III é correta.

  4. Só I e II são corretas.

  5. I, II e III estão corretas.

 

  • Endoforia é:

    1. Um desvio convergente manifesto.

    2. Um desvio convergente latente.

    3. Um desvio convergente paralítico.

    4. Um desvio divergente latente.

 

  • Os seguintes agentes podem provocar conjuntivites, a exceção de:

    1. Adenovírus.

    2. Streptococcus sp.

    3. Toxoplasma gondii.

    4. Molusco contagioso.

 

  • Para tratamento de ambliopia se recomenda:

    1. Oclusão do olho sadio.

    2. Óculos bifocais.

    3. Não justifica indicar tratamento.

 

  • Na pálpebra podem ser encontradas seguintes estruturas:

    1. Glândulas de Krausse e Wolfring.

    2. Glândulas caliciformes.

    3. Glândulas de Meibomio e de Zeiss.

    4. Endotélio com sua membrana basal.

 

 

M.J.O., 25 anos, casada, grávida no 7º mês de gestação, natural e procedente de Jaboatão dos Guararapes, PE, procura seu obstetra com queixa de febre e “caroços” no pescoço.

 

A paciente refere que há cerca de 1 semana apresenta febre variando entre 37 e 38º C, acompanhada de astenia, anorexia e irritação leve na garganta. Surgiram tumorações cervicais.

Está em acompanhamento pré-natal desde o 1º mês de gestação, regularmente e sem intercorrências. Sorologia para toxoplasmose e HIV negativas.

 

Mora com marido, saudável, e 1 filho de 7 anos, que há cerca de 2 meses apresentou quadro parecido, com febre, “garganta inflamada” e “lândrias” no pescoço. Apresentou ainda “carocinhos” vermelhos pelo corpo após uso de amoxicilina oral receitado pelo pediatra. Houve regressão completa do quadro.

Evita comer carnes cruas e mal cozidas. Consome apenas água mineral.

Vacinação em dia. É professora primária, em atividade regular.

Habita casa de alvenaria, com água encanada, luz e esgoto, 4 cômodos. Criava gatos, que foram doados no quando soube estar grávida. Cria cão no quintal, com o qual evita contato desde o início da gravidez.

Freqüenta esporadicamente sítio dos pais, onde costuma realizar atividades de lazer de jardinagem.

 

EG regular para bom. Eupneica, corada, acianótica, anictérica, afebril.

  • Pele e mucosas sem alterações.

  • Linfonodos: vários linfonodos cervicais palpáveis, os maiores medindo 2,0 a 2,5 cm de diâmetro, móveis, um pouco dolorosos à palpação; linfonodos axilares palpáveis, o maior à direita, medindo cerca de 3,0 cm; cadeias inguinais palpáveis, linfonodos com 0,5 a 1,0 cm, indolores à palpação.

  • Ausculta cardiorrespiratória normal. FR: 22 ipm. FC: 86 bpm. PA: 110 x 70mmHg

  • Abdome globoso, depressível, indolor à palpação; baço e fígado impalpáveis; fundo uterino compatível com idade gestacional.

  • Exame toco-ginecológico sem alterações.

 

O médico solicita exames laboratoriais para toxoplasmose e obtém os seguintes resultados:

 

  • Imunofluorescência (IMF) IgM para gondii: reagente.

 

  • Elisa IgG para gondii: 1,024 UI

    • Não reagente: < 0,9 UI

    • Indeterminado: 0,9 a 1,1 UI

    • Reagente: > 1,1 UI

 

Em relação ao caso de M.J.O., responda as questões 25 a 30.

 

  • Para avaliação da imunidade para o gondii, o médico assistente solicitou IMF para IgM. Assinale a alternativa correta:

 

  1. A IMF para IgM deveria ser substituída pelo teste de captura da IgM, pois poderíamos estar diante de uma IgM residual.

  2. O teste foi bem empregado, pois neste caso, a elevação da IgM seria sempre inicio de fase aguda.

  • O teste foi bem empregado, no entanto poderia ter sido solicitado uma pesquisa do parasito no sangue, pois a gestante encontra-se na fase aguda.

  1. O teste da IgM não deveria ser empregado, pois a IgM não é característica de fase aguda.

 

Assinale a correta:

  1. I e IV estão corretas.

  2. I e III estão corretas.

  3. Apenas a II está correta.

  4. II e III estão corretas.

  5. Apenas a IV está correta.

 

  • A dosagem de IgG com resultado de 1,024 UI significa que:

 

  1. A dosagem encontra-se na fase indeterminada do resultado, dificultando o diagnóstico clínico.

  2. Neste caso conseqüentemente a IgG irá aumentar na dosagem seguinte.

  • A dosagem encontra-se acima do cut-off, oferecendo segurança no diagnóstico.

  1. Deverá ser solicitado um teste de avidez da IgG para T. gondii.

 

Assinale a correta:

  1. I e IV estão corretas.

  2. I e III estão corretas.

  3. I, II e IV estão corretas.

  4. II e IV estão corretas.

  5. I, III e IV estão erradas.

 

  • Analise as alternativas:

 

  1. O risco de passagem transplacentária do T. gondii é maior no momento atual do que no primeiro trimestre da gestação.

  2. O recém-nascido, mesmo infectado pelo T. gondii, pode apresentar-se clinicamente normal ao nascimento.

  • Para saber se o feto foi contaminado pelo T. gondii a melhor conduta seria Solicitar IgM (Elisa de captura), IgA (Elisa) e IgG (Elisa) pareada com a IgG materna.

 

Assinale a alternativa correta:

  1. Todas as assertivas estão incorretas.

  2. As assertivas I e II estão corretas.

  3. As assertivas II e III estão corretas.

  4. Apenas a assertiva I está correta.

  5. Todas as assertivas estão corretas.

 

  • Assinale a alternativa incorreta:

    1. A forma clínica apresentada pela paciente é uma das mais comuns entre as formas sintomáticas de toxoplasmose.

    2. É indicado o exame citobioquímico do líquido cefalorraquídico, pois em muitos casos há acometimento subclínico do sistema nervoso central.

    3. O risco de comprometimento ocular é baixo. A indicação de exame oftalmológico se dá na presença de sintomas.

    4. Um possível achado no hemograma seria linfocitose atípica e eosinofilia.

    5. A espiramicina pode ser usada no caso na tentativa de diminuir o risco de transmissão transplacentária do parasito.

 Dentre as possíveis fontes de contágio para da paciente pelo gondii, assinale a mais provável:

  • Água mineral.

    Seus alunos.

    Seu filho.

     Assinale a assertiva incorreta em relação ao filho da paciente:O quadro por ele apresentado pode ter sido causado tanto pelo vírus Epstein-Barr como pelo citomegalovírus.

A ocorrência de exsudato em tonsilas não é raro na síndrome mono-símile.

O achado de atipia linfocitária na 2ª semana de doença reforçaria o diagnóstico de síndrome mono-símile.

  • O diagnóstico de mononucleose pode ser firmado pela detecção de anticorpos heterófilos pela reação de Sabin-Feldman.

    Deve-se orientar repouso por algumas semanas após o início do quadro a fim de se evitar trauma com ruptura esplênica, que pode ser fatal.

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ALGUMAS CONSIDERAÇÕES ÉTICAS SOBRE A DERMATOLOGIA ESTÉTICA

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No mundo moderno, a humanidade está cercada por serviços à disposição de quem deseja cuidar da aparência ou moldá-la. A preocupação do homem com o corpo, no entanto, não é recente. A origem do culto ao corpo remonta à Antiguidade indo até os dias atuais. As pessoas passaram a enxergar o corpo hoje como algo moldável, conforme certos padrões estéticos, fomentados por uma ditadura de idealização da beleza. Diante dessa realidade, o médico mais do que nunca deve saber respeitar os limites éticos, a fim de evitar possíveis erros, e danos irreparáveis com os seus pacientes.
Palavras chaves: Dermatologia, estética, ética, erro médico

A beleza é algo que chama atenção do homem desde o início dos tempos. Seja na literatura, na pintura, na arte ou no próprio homem.¹ Os cuidados com a estética da pele datam de tempos da origem da Humanidade, onde a busca pela beleza da pele é fator fundamental da beleza corporal, já no princípio. A pele, limite anatômico animal, isola os componentes orgânicos do meio externo, constituindo uma verdadeira barreira protetora e de equilíbrio, sendo o principal órgão de comunicação com o meio exterior.²

Na Grécia, 400 anos a.C, os livros sagrados e Hipócrates, o pai da Medicina, propuseram regras referentes à higiene, ao valor do ar puro, esporte e banhos de água e sal, como formas de melhoria corporal. ²
Passada a Idade Média, onde a fase religiosa do Cristianismo reprimiu o culto à higiene e à exaltação à beleza, chega o Renascimento, onde nos meados do século XV aflora novamente o afã ao embelezamento, nascendo o perfume para compensar a falta de higiene. Na Idade Moderna, durante os séculos XVII e XVIII, a venda pública de cosméticos em Paris, de pomadas, azeite, depilatórios, águas aromáticas, sabão e outros artigos de beleza era intensa. ²
Historicamente a imagem concentra-se com a beleza, a saúde e a juventude. Com esta percepção de beleza a imagem atual do corpo invadiu as dimensões que estão perdendo o controle.
A imagem está se tornando a construção da identidade das pessoas. A insatisfação e a busca pelo corpo ideal fazem parte da história da humanidade. De acordo com este autor, ao longo dos tempos, a humanidade escraviza o corpo de acordo com os padrões de beleza. O julgamento de beleza imposto pela sociedade leva as pessoas ignorarem a dor e até escravizar o corpo para alcançar o sucesso almejado.³
O indivíduo aceitável é aquele que segue ou se enquadra no padrão social dominante. Quem não se adapta a este padrão vive a margem da sociedade, sendo culpado por não possuir ou se aproximar deste ideal.4
Essa busca desenfreada pela beleza a qualquer custo causa danos das mais variadas características, tanto nos pacientes quanto nos médicos, sejam elas físicas, psicológicas, afetivas ou sociais.
Os prejuízos às vezes são irreparáveis tanto estéticos quanto moral. Na passagem do século passado para este o médico era visto como profissional, cujo título garantia a onisciência, médico de família, amigo e conselheiro. Em tempos modernos, o médico é considerado mais um componente da incontrolável sociedade de consumo.5
Sendo a ética conceituada como uma ciência que busca a compreensão do comportamento humano, analisando a conduta do homem através dos costumes, dos valores e de suas crenças. É de extrema importância que o médico que cuida da beleza estabeleça uma relação de confiança e ética com o seu paciente.
Podemos conceituar a relação médico-paciente ideal como uma relação de natureza profissional, de confiança recíproca, de honestidade, de direitos e deveres do médico e do paciente.
A medicina moderna entende que a relação médico-paciente é um encontro entre dois especialistas: um é o técnico – o médico – e o outro o conhecedor da queixa e dos detalhes que auxiliarão no tratamento. A

boa comunicação contribui para o clima de confiança entre ambos. 6
Hoje, vivemos numa época onde predomina a consagração da cosmética, promovendo o controle do envelhecimento e o embelezamento da imagem pessoal, apresentando inúmeros seguimentos, não apenas de embelezamento.
O denominador comum entre ambas é a possibilidade de melhoria da qualidade de vida, com o fortalecimento da auto-estima, refletindo em seu bem estar e, conseqüentemente, melhorando sua auto-imagem. 6
Diante dessa realidade, o médico mais do que nunca deve saber respeitar os limites éticos, a fim de evitar possíveis erros, e danos irreparáveis com os seus pacientes. Uma vez que, os pacientes que procuram tratamentos estéticos, buscam muito mais do que o melhoramento físico.
No Conselho Federal de Medicina, a maioria das ocorrências é de erros médicos, queixas causadas por resultados aquém daquilo que o paciente espera.
É incontestável considerar como erro médico toda e qualquer falha ocorrida durante a prestação da assistência à saúde que tenha causado algum tipo de dano ao paciente .6
Sendo assim, o médico precisa ter muita cautela para evitar possíveis erros. A especificação da obrigação do médico em garantir a utilização de todos os

conhecimentos e instrumentos para alcançar o resultado positivo, entretanto, sem garanti-lo, é o primeiro passo para o paciente culpá-lo de algum erro.6
Por isso, o médico antes de qualquer procedimento, deve promover a saúde do seu paciente, mostrando que a beleza está relacionada à nossa conduta diária, e é de responsabilidade de cada pessoa.
O objetivo deste trabalho é contribuir para a reflexão sobre aspectos éticos relacionadas à dermatologia estética no contexto sociocultural da atualidade.

DISCUSSÃO
A Dermatologia é a especialidade médica voltada ao estudo, ao diagnóstico e ao tratamento das doenças que envolvem a pele, membranas mucosas, cabelos, pêlos e unhas de adultos e crianças. Procurando o melhor atendimento ao cliente, ela ramifica-se, criando novos ramos que valorizam a especificidade da área: dermatologia clínica, cirurgia dermatológica, hansenologia e a cosmiatria7. Em verdade, a relação entre profissional e cliente, tornou-se muito forte, criando-se um vínculo de afeto, responsabilidade e respeito, ou seja, essa especialidade vem adquirindo um novo conceito, não apenas na visão do “embelezamento”, mas como junção entre a imagem pessoal e a sensibilidade em lidar com os sentimentos de clientes; a relação deve ser sincera, principalmente em se tratando de um ser humano, que, em algumas situações, está sensível e desorientado, buscando compreensão e refúgio para seus problemas. Os traços característicos da aparência física podem causar uma série de distúrbios psicológicos, como a não adaptação do indivíduo a seu grupo de relações, quando se sentem rejeitados por outras pessoas, levando à depressão e diminuindo a auto-estima. Afetada a sua saúde psicológica, o homem pode sofrer um desequilíbrio na sua saúde e o uso de serviços médicos com correções anatômicas relevantes levará a uma maior auto-estima e o restabelecimento das relações harmoniosas com o resto da sociedade. Assim, a beleza pode desempenhar um papel importante no legítimo desejo da felicidade humana.8
A aparência é um fator essencial nas interações humanas. Não raro, tem sido sempre associada ao sucesso social e profissional. É importante para o equilíbrio biopsicossocial individual e representa, por sua vez, a definição de saúde que sugere a Organização Mundial da Saúde (OMS). Mas o conceito de beleza existe desde os tempos antigos e, desde então, procura manter uma aparência jovem e de beleza. O homem sempre sentiu a necessidade de compreender suas ações sob as leis da beleza e do desafio, conforme determinado pelas condições de desenvolvimento social, e é expressa de forma diferente em cada sociedade histórica concreta. É justamente nas relações sociais que se formam o ideal e o gosto estético, que estão sendo assimilados através da educação e com base em experiência e prática do assunto.
Os homens tendem a procurar e encontrar a beleza não só em objetos criados com esse fim, mas também em todos os bens materiais produzidos por ele. Da mesma forma que a tendência para a beleza não é apenas uma necessidade puramente ideal, mas com grande freqüência é um instrumento para a transformação da realidade, assumindo uma transformação de um ideal estético determinado, faz com que o indivíduo tenha uma atitude estética em relação ao mundo.A atitude estética pode ser definida como uma forma de produção espiritual, que adquire valor independente, como uma forma especial de relação entre os homens, através do conhecimento e valorização de suas propriedades e sua transformação em uma imagem sensorial em correspondência com o ideal. Essa aparente independência permite o desenvolvimento da capacidade estética, com base na interpretação de toda a cultura universal da sociedade. Esta atitude é um estímulo à produção social, que se manifesta de sentido humano e serve de ponto de extremidade correspondente ao ideal estético. Mas o que acontece quando o indivíduo não está satisfeito com sua aparência estética? Esse indivíduo precisa de uma solução real, não a fantasia frustrante, sem tentar oferecer soluções falsas, propenso a ser enganado.9
É em tal contexto que os profissionais de saúde vão agir, respeitando as questões éticas, tendo em vista seus direitos e deveres. Quanto aos direitos adquiridos por profissionais da dermatologia, pode-se afirmar que ela ganha força total no mundo do Direito, o que é legitimado através de deveres da profissão e que surge o Direito para legitimar a sua proteção. No entanto, quando adquirem-se direitos, as obrigações também surgem e a responsabilidade cresce, portanto, deve o profissional cumprir com sua responsabilidade e garantir assim, o direito à segurança, o direito da igualdade, o direito da dignidade da pessoa humana, direitos esses que a Lei garantirá ao profissional, entre outros direitos que rege a nossa Constituição Brasileira. Só conhecimento não basta, o importante é praticá-lo com clareza, sensatez e competência, buscando a cada dia informações sobre o modo de agir, da conduta, da ética, distinguindo o lícito do ilícito, de forma que nenhuma pessoa ou órgão tenha o poder de acusá-lo de um ato impróprio. Ao contrário, responderá pelo ato ilícito, por não cumprir os requisitos da Lei. Se a lei diz para não fazer e assim mesmo o faz, nesse momento assume toda a responsabilidade do ato cometido.8
Seguem abaixo alertas éticos da Sociedade Brasileira de Dermatologia: 10
1) É vedado ao médico anunciar especialidade ou área de atuação para as quais não esteja qualificado e, devidamente, registrado no Conselho Regional de Medicina (art. 115 do CEM);
2) A Comissão de Ética e Defesa Profissional da SBD recomenda a elaboração de ‘TERMOS DE CONSENTIMENTO’ por ocasião da realização de procedimentos
dermatológicos;
3) Delegar a outros profissionais atos ou atribuições exclusivos da profissão médica contraria preceitos do Código de Ética Médica (art. 2° do CEM);
4) A Medicina Estética ou Estética Médica não são especialidades médicas reconhecidas pela Comissão de Especialidades Médicas da Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina e, portanto, não podem ser anunciadas;
5) Carimbos, receituários e outros folhetos do consultório são, também, considerados formas de anúncio médico e, devem estar em acordo com o estabelecido na Resolução do CFM 1701/03, que norteia os princípios dos anúncios médicos;
6) Os anúncios de estabelecimentos de saúde devem conter o nome e o número de registro do CRM do Diretor Técnico;
7) O médico não pode desrespeitar a prescrição ou o tratamento de paciente determinado por outro médico, exceto quando houver situação de indiscutível benefício para o paciente;
8) A prescrição médica e o atestado médico tem de ser legíveis e devem ter a identificação do médico;
9) É vedada ao médico a exibição de fotos de pacientes em meios de comunicação em geral, mesmo com autorização dos mesmos (Resol. CFM 1701/03);
10) É vedado ao médico estabelecer vínculo com empresas que anunciam ou comercializam planos de financiamento, cartões de descontos ou consórcios
para procedimentos médicos.
A nossa constituição Federal é clara quando proíbe a discriminação religiosa, social, racial e política. Devendo o dermatologista atender seus clientes sem restrições, mantendo uma posição solidária e humana. É inescusável que o médico não conheça o código de ética e desconheça a Constituição Brasileira, devendo ele obter conhecimento do que a Lei proíbe, para somente de posse desse conhecimento ter segurança e domínio para fazer o atendimento. Para um bom profissional, deve-se atualizar em conhecimentos técnicos e científicos, apresentar-se zelosamente, ter atitude honrosa, resguardando os interesses dos clientes sem prejuízo da dignidade. A avaliação na anamnese dermatológica do cliente é fundamental para a indicação de procedimentos estéticos, de acordo com cada tipo e alteração de pele. Para a recuperação da pele, o profissional deve executar todas as técnicas existentes na tecnologia estética, desde que seja adequada e reconhecida cientificamente. É fundamental para um bom desempenho que o ambiente de trabalho esteja padronizado conforme exigência da vigilância sanitária, e que o profissional tenha domínio técnico no manuseio dos objetos de trabalho. É essencial que possua agilidade, coordenação motora, percepção, paciência, hábitos de higiene de si mesmo e do ambiente.8
Outro ponto relevante para esta discussão é o chamado erro médico. Nem todo mau resultado de um tratamento médico decorre da má conduta do profissional médico.
Considera-se como erro médico toda e qualquer falha ocorrida durante a prestação da assistência à saúde que tenha causado algum tipo de dano ao paciente.11 Pode ocorrer por: 12
1. Imperícia decorrente da falta de observação das normas técnicas, por despreparo prático ou por insuficiência de conhecimentos. Considerar um médico imperito é discutível, tratando-se de um profissional longamente treinado nas escolas médicas e nos programas de residência médica, com no mínimo 8 até um máximo de 11 anos de estudos e prática. É uma premissa que, não sendo aceita, torna-se um agravante; 2. Imprudência quando o médico assume riscos para o paciente sem respaldo científico para seu procedimento;
3.Negligência, é a forma mais freqüente de erro médico nos hospitais do governo, onde o doente é um matriculado na instituição e não um paciente do médico, e este negligencia os cuidados por falta de uma relação médico-paciente-família estreita.
Existem situações em que o resultado não é satisfatório para o paciente, mas que não se está diante de erro médico. O resultado adverso, por exemplo, não decorre da má prática médica. Ele acontece quando o profissional, apesar de ter empregado todos os recursos adequados, obtém resultado diferente do pretendido. A adversidade decorre de uma situação incontrolável, própria da evolução do caso ou quando não é possível para a ciência e para a Medicina prever quais pessoas, em quais situações, terão esse resultado indesejado. Embora incontrolável, o resultado adverso pode ser contornável pelo conhecimento científico e pela habilidade do profissional.
Um acontecimento que não deve ser confundido com a má prática médica é o aparecimento de novo fenômeno no curso do tratamento, a exemplo de uma nova doença que agrava o quadro clínico. Na linguagem médica esse acontecimento é chamado de complicação. Um dos exemplos mais comuns é a infecção hospitalar, que independe da competência médica e ocorre mesmo nos hospitais de melhor qualidade.
Apesar dessas ressalvas, a má prática médica, quando configurada, tem que ser encarada com seriedade e transparência e deve resultar no ressarcimento da vítima ou de seus familiares.
A má prática médica pode causar danos ao paciente e gerar ao médico o dever de indenizá-lo. Assim, a responsabilidade civil do médico será a de recompor de alguma forma os danos sofridos pelo paciente, o que normalmente se dá mediante o pagamento em dinheiro.
Os pacientes poderão experimentar danos materiais, morais ou estéticos em razão da comprovada má prática médica (artigos 5º., V e X da Constituição Federal, artigo 6º., VI do Código de Defesa do Consumidor e artigos 186 e 402 do Código Civil).
Haverá dano material quando houver perda patrimonial, configurando-se a necessidade de ressarcir os prejuízos materiais causados ao paciente em virtude da má prática médica. Dependendo do caso, o dano material pode ser composto pelos chamados danos emergentes (efetiva perda de patrimônio) e pelos lucros cessantes (o que a vítima deixou de ganhar em função do evento danoso). O pagamento de pensão devido à perda da capacidade de trabalhar da vítima (total ou parcial) ou mesmo pensão por morte aos familiares é um exemplo. Os valores são calculados de acordo com o ganho da pessoa prejudicada ou morta, levando em conta, nesse último caso, o percentual destinado à ajuda dos familiares.
Quando o ato praticado pelo médico infligir dor ou sofrimento à vítima estará configurado o dano moral. Para calcular o valor atribuído ao dano moral, a Justiça utiliza alguns critérios como a intensidade do sofrimento infligido à vítima, as circunstâncias do ato lesivo, a necessidade de desestimular a reincidência do ato lesivo e a capacidade econômica do ofensor e do ofendido.
Também se admite a possibilidade de ocorrência de dano estético que consiste na lesão à forma física ou à aparência do paciente. Assim como a indenização por dano moral, a reparação do dano estético tem finalidade compensatória, e não propriamente de ressarcir o prejuízo amargado pela vítima.
Além do médico, outros também poderão ser responsabilizados pelos danos decorrentes da má prática médica, como os hospitais, as clínicas, os laboratórios, as operadoras de planos de saúde e até mesmo o Estado, caso o médico seja da rede pública.
Para que se configure o dever de indenizar, é preciso que o profissional tenha agido com a intenção de causar o dano (chamado dolo) ou que, mesmo sem intenção, o profissional tenha causado dano ao paciente por sua atuação imprudente, negligente ou imperito (artigo 14, parágrafo 4º. do Código de Defesa do Consumidor e artigo 951 do Código Civil). No caso, a conduta sem intenção de causar dano, chamada de culposa, é a mais freqüente, já que é difícil imaginar que um médico tenha pretendido prejudicar o paciente. As condutas dolosas são excepcionais.
Assim, para que o médico seja responsabilizado é preciso que se demonstre:
1) a existência de dano;
2) a demonstração da conduta culposa e/ou dolosa do profissional; e
3) a existência de nexo de causalidade entre a conduta do médico e o dano sofrido pelo paciente, ou seja, que foi a má prática médica que ocasionou o dano.
A má prática médica pode surtir efeitos também na esfera penal. Caso a conduta médica seja caracterizada como crime, o profissional arcará com uma pena que pode variar entre a simples imposição de multa até a privação da liberdade.
Na esfera penal apenas o médico pode ser responsabilizado. Isso porque a conduta criminosa depende do agir com vontade, caracterizada pelo dolo ou pela culpa (artigo 18 do Código Penal). Assim, só pessoas físicas podem ser autoras de crime, nunca uma pessoa jurídica, como um hospital.
O crime será doloso sempre que restar demonstrado que o agente “quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo” (Código Penal, artigo 18, inciso I). Já o crime culposo acontece “quando o agente der causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia” (Código Penal, artigo 18, II). A culpa é a situação mais comum no caso de má prática médica. Como já dito, o dolo somente estará presente em situações absolutamente excepcionais.
A má prática médica pode causar, em geral, uma lesão à saúde ou à integridade física do paciente, ou ainda sua morte. Dependendo da lesão provocada, a conduta médica poderá ser tipificada como crime de homicídio (artigo 121 do Código Penal) ou como crime de lesão corporal (artigo 129 do Código Penal). 11
Dessa maneira vai se traçando o perfil de um profissional envolvido com a estética e saúde do paciente, onde se deve seguir à risca os direitos e deveres regidos tanto ao paciente quanto ao médico, e onde a medicina mercantilista não pode sobrepor-se aos cuidados do homem. A boa relação médico-paciente é imprescindível na profilaxia do erro médico, evitando processos movidos por suposto erro, nos quais, de fato, pouco êxito é verificado. Assim como a medicina não pode, em qualquer circunstância ou de qualquer forma, ser exercida como comércio ou divulgar informações sobre assunto médico de forma sensacionalista, promocional ou de conteúdo inverídico. O paciente que procura um dermatologista voltado para fins estéticos ou um cirurgião plástico, não se encontra doente, mas apenas deseja melhorar um aspecto estético, interessando-lhe tão somente o resultado a ser alcançado.

A insatisfação e a busca pelo corpo ideal fazem parte da humanidade, as pessoas ignoram a dor em função da vaidade. Nos dias atuais, a mídia é quem impõe os padrões de beleza que despertam sentimentos intensos e inspiram ações que vão da silenciosa contemplação a ousadias de ordem conceitual e material para desfrutá-la e produzi-la. Assim, ao longo dos tempos, as pessoas escravizaram o corpo de acordo com os padrões de beleza, tornando-se algo que chama atenção do homem desde o início dos tempos, mas o problema é quando a vaidade extrapola os limites, surgindo danos e doenças que podem ser fatais. 13

CONCLUSÃO

A antiga preocupação do homem em não envelhecer e manter-se belo e saudável está cada vez mais evidente. Atualmente, devido aos padrões de beleza impostos pelos meios de comunicação em massa, muitas pessoas encontram-se insatisfeitas com sua aparência e, para atingirem os padrões considerados perfeitos pela sociedade, recorrem aos procedimentos estéticos em busca da perfeição, procurando, entre outros profissionais, o dermatologista.
Os dermatologistas, frente a esta realidade, precisam estar atentos aos princípios éticos e legais que envolvem os procedimentos estéticos. É necessário criar um bom vínculo com o paciente, orientá-lo e alertá-lo para os riscos inerentes de cada procedimento, até mesmo desaconselhá-lo ao perceber trata-se apenas de um capricho ou pura obsessão. Além disso, é preciso ser altamente capacitado e treinado para executar com habilidade e maestria os procedimentos solicitados.
Sendo assim, verifica-se que conhecer procedimentos que melhorem a pele na aparência é tão importante quanto tratá-la quando doente, porém, ao lidar com a estética, é necessário acima de tudo, manter o bom senso, a ética e zelar sempre pela integridade física e psicológica do paciente ………………..

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A sífilis é doença infecciosa crônica,

linda DO LCM

A sífilis é doença infecciosa crônica, que desafia
há séculos a humanidade. Acomete praticamente
todos os órgão e sistemas, e, apesar de ter tratamento
eficaz e de baixo custo, vem-se mantendo como
problema de saúde pública até os dias atuais.
Tornou-se conhecida na Europa no final do
século XV, e sua rápida disseminação por todo o continente
transformou-a em uma das principais pragas
mundiais. A riqueza do acometimento da pele e das
mucosas associou-a fortemente à dermatologia
(Figura 1).
Duas teorias foram elaboradas na tentativa de
explicar sua origem. Na primeira, chamada de
colombiana, a sífilis seria endêmica no Novo Mundo
e teria sido introduzida na Europa pelos marinheiros
espanhóis que haviam participado da descoberta
da América. Outros acreditavam que a sífilis seria
proveniente de mutações e adaptações sofridas por
espécies de treponemas endêmicos do continente
africano.1
A sinonímia da doença refletia a beligerante
situação sociopolítica da Europa, atribuindo sempre à
doença uma adjetivação que a identificava com outro
povo ou nação. Mal espanhol, mal italiano, mal francês
foram utilizados até que o nome sífilis, derivado
de um poema de Hieronymus Fracastorius, sedimentou-
se como o principal.
Era preocupante o crescimento da endemia
sifilítica no século XIX. Em contrapartida a medicina
se desenvolvia, e a síntese das primeiras drogas tornava-
se realidade. O maior impacto talvez tenha sido a
introdução da penicilina que, por sua eficácia, fez
com que muitos pensassem que a doença estivesse
controlada, resultando na diminuição do interesse
por seu estudo e controle.
Em 1960, mudanças na sociedade em relação
ao comportamento sexual e o advento da pílula anticoncepcional
fizeram que o número de casos novamente
aumentasse. No final dos anos 70, com o aparecimento
da síndrome da imunodeficiência adquirida
(Aids), houve um redimensionamento das doenças
sexualmente transmissíveis. O papel da sífilis como
fator facilitador na transmissão do vírus HIV ocasionaria
novo interesse pela sífilis e a necessidade de estratégias
para seu controle.
EPIDEMIOLOGIA
A OMS estima em 340 milhões o número de
casos novos de DST curáveis (sífilis, gonorréia, clamídia,
tricomoníase).
Os dados da prevalência nos trópicos mostram
que a sífilis, conforme a região, é a segunda ou terceira
causa de úlcera genital (outras são o cancro mole e
herpes genital).2 Houve recrudescimento da sífilis na
Irlanda,3 Alemanha4 e cidades americanas, como San
Francisco e Los Angeles, em grupos com comportamento
de risco, como homens que fazem sexo com
homens (HSH) e profissionais do sexo.5-8
Nos Estados Unidos, em 2004 houve aumento
de 11,2% dos casos de sífilis primária, que passaram
de 7.177 em 2003 para 7.980.9
Em relação à sífilis congênita, os dados obtidos
em programas de pré-natal e maternidades mostraram
soroprevalências elevadas, principalmente em
países africanos.10-12
No Brasil, em 2003, estimaram-se 843 300
casos de sífilis. Não sendo doença de notificação compulsória,
os estudos epidemiológicos são realizados
em serviços que atendem DST ou grupos selecionados,
como gestantes, soldados, prisioneiros, etc.13-15
Os casos registrados de sífilis congênita entre 1998 e
2004 totalizaram 24.448.13,16,17
O AGENTE ETIOLÓGICO
A sífilis é causada por uma bactéria chamada
Treponema pallidum, gênero Treponema, da família
dos Treponemataceae, que inclui ainda dois outros
gêneros: Leptospira e Borrelia. O gênero possui quatro
espécies patogênicas e pelo menos seis não patogênicas.
As patogênicas são o Treponema pallidum
subsp pallidum, causador da sífilis, o Treponema
carateum, responsável pela pinta, e o Treponema
pertenue, agente da bouba ou framboesia. O bejel ou
sífilis endêmica é atribuído à variante T. pallidum
subsp endemicum.
O T. pallidum tem forma de espiral (10 a 20
voltas), com cerca de 5-20μm de comprimento e ape-nas 0,1 a 0,2μm de espessura. Não possui membrana
celular e é protegido por um envelope externo com
três camadas ricas em moléculas de ácido N-acetil
murâmico e N-acetil glucosamina. Apresenta flagelos
que se iniciam na extremidade distal da bactéria e
encontram-se junto à camada externa ao longo do
eixo longitudinal. Move-se por rotação do corpo em
volta desses filamentos18-21 (Figura 2).
O T. pallidum não é cultivável e é patógeno
exclusivo do ser humano, apesar de, quando inoculado,
causar infecções experimentais em macacos e
ratos. É destruído pelo calor e falta de umidade, não
resistindo muito tempo fora do seu ambiente (26
horas). Divide-se transversalmente a cada 30 horas.18-21
A pequena diferença de densidade entre o
corpo e a parede do T. pallidum faz com que seja prejudicada
sua visualização à luz direta no microscópio.
Cora-se fracamente; daí o nome pálido, do latim pallidum.
O genoma do T. pallidum subsp pallidum foi
recentemente seqüenciado. É um cromossoma circular
de 1138006bp (bases de pares) e com 1041ORFs
(fase de leitura aberta/open reading frame). É limitada
a capacidade de biossíntese, e por isso, prefere
locais com baixo teor de oxigênio e apresenta poucos
componentes protéicos em sua parede externa.18
ETIOPATOGENIA
A penetração do treponema é realizada por
pequenas abrasões decorrentes da relação sexual.
Logo após, o treponema atinge o sistema linfático
regional e, por disseminação hematogênica, outras
partes do corpo. A resposta da defesa local resulta em
erosão e exulceração no ponto de inoculação,
enquanto a disseminação sistêmica resulta na produção
de complexos imunes circulantes que podem
depositar-se em qualquer órgão.
Entretanto, a imunidade humoral não tem
capacidade de proteção. A imunidade celular é mais
tardia, permitindo ao T. pallidum multiplicar e sobreviver
por longos períodos.
TRANSMISSÃO
A sífilis é doença transmitida pela via sexual
(sífilis adquirida) e verticalmente (sífilis congênita)
pela placenta da mãe para o feto. O contato com as
lesões contagiantes (cancro duro e lesões secundárias)
pelos órgãos genitais é responsável por 95% dos
casos de sífilis.
Outras formas de transmissão mais raras e com
menor interesse epidemiológico são por via indireta
(objetos contaminados, tatuagem) e por transfusão
sangüínea.22
O risco de contágio varia de 10% a 60% conforme
a maioria dos autores.5,13,22
CLÍNICA
A história natural da doença mostra evolução
que alterna períodos de atividade com características
clínicas, imunológicas e histopatológicas distintas
(sífilis primária, secundária e terciária) e períodos de
latência (sífilis latente). A sífilis divide-se ainda em sífilis
recente, nos casos em que o diagnóstico é feito em
até um ano depois da infecção, e sífilis tardia, quando
o diagnóstico é realizado após um ano.
SÍFILIS PRIMÁRIA
A lesão específica é o cancro duro ou protossifiloma,
que surge no local da inoculação em média
três semanas após a infecção. É inicialmente uma
pápula de cor rósea, que evolui para um vermelho
mais intenso e exulceração. Em geral o cancro é
único, indolor, praticamente sem manifestações
inflamatórias perilesionais, bordas induradas, que
descem suavemente até um fundo liso e limpo, recoberto
por material seroso. Após uma ou duas semanas
aparece uma reação ganglionar regional múltipla
e bilateral, não supurativa, de nódulos duros e indolores

Localiza-se na região genital em 90% a 95% dos
casos. No homem é mais comum no sulco balanoprepucial,
prepúcio, meato uretral ou mais raramente
intra-uretral. Na mulher é mais freqüente nos pequenos
lábios, parede vaginal e colo uterino.
Assintomático, muitas vezes não é referido. As localizações
extragenitais mais comuns são a região anal,
boca, língua, região mamária e quirodáctilos. O cancro
regride espontaneamente em período que varia
de quatro a cinco semanas sem deixar cicatriz.19,20,23
A ausência de lesão primária geralmente decorria
de transfusões com sangue infectado…

bom se gostou e quiser ler mais me peça k envio uma apostila?