Gênese

O usuário não pode operar diretamente o hardware da máquina. Seria muito complicado
e dependeria de treinamento rigoroso, e se alguma coisa mudasse no hardware,
ou se todo o sistema fosse substituído, o usuário deveria ser retreinado. Por isso,
normalmente o usuário não interage diretamente com a máquina. Em vez disso, ele
diz o que quer a um programa especial chamado Sistema Operacional, e este traduz
o pedido simples do usuário para a “linguagem elétrica” que o hardware entende.
Vamos, então, entrar em uma máquina do tempo e ver como essas coisas
evoluíram, desde os primeiros computadores digitais até os dias de hoje.
1 Hoje, os patch panels são usados como auxiliadores no projeto de redes de computadores ou de
telefonia. Eles facilitam a troca da estrutura da rede simplesmente mudando de lugar alguns cabos de
ligação, chamados jumpers, sem a necessidade de mudar o lugar físico das máquinas em rede. Para mais
detalhes, consulte os capítulos sobre redes.
2 Os cartões perfurados existem desde 1890, inventados por Hermann Hollerith, um dos fundadores de
uma das três companhias que viriam a se juntar para formar a IBM. Tais cartões foram redesenhados pela
IBM em 1928 e usados para armazenar dados, que podiam ser posteriormente classificados por uma
ordenadora eletromecânica de cartões. Mas o “empurrão” para adaptá-los nos computadores eletrônicos só
surgiu com a 2ª guerra mundial. Mesmo assim, o MARK I, primeiro computador eletrônico da IBM
(1944), não os utilizava: a adoção dos cartões perfurados só seria consolidada às vésperas da década de 50.
Mesmo com o advento do armazenamento em meio magnético, cartões perfurados continuaram a ser
usados até meados dos anos 80.
possível guardar dados e programas em uma mídia armazenável e de fácil organização.
Para operar com os cartões perfurados, os computadores precisavam
de um pequeno programa que lesse os cartões em seqüência e guardasse
o que foi lido numa memória volátil. Depois disso, bastava executar o programa
carregado na memória. Eventuais dados de que o programa necessitasse
eram lidos de cartões adicionais, e a saída do processamento poderia tanto ser
perfurada em novos cartões como impresso em ruidosas impressoras teletipo,
adaptadas de terminais de telex.
Gênese
“No início eram os cabos, então o engenheiro criou o programa armazenado…”
Assim poderia ser escrita a bíblia do cérebro eletrônico. Os primeiros sistemas
operacionais surgiram devido às próprias limitações dos primeiros computadores. A
princípio, os “programas” não eram armazenados. Em vez disso, os problemas apresentados
ao computador eram o que se chama hoje de hardcoded: o próprio circuito
eletrônico da máquina era modificado para que o problema pudesse ser resolvido. A
tarefa era um pouco facilitada por painéis de chaves ou por patch panels1 (sim, o
termo vem dessa época), painéis com jacks que se conectavam aos circuitos de aritmética
do computador. Cabos com plugues eram inseridos nos jacks e interligavam
os circuitos em uma seqüência capaz de realizar o cálculo solicitado.
O problema inerente a esse artifício é óbvio: era necessário um batalhão de caríssimos
engenheiros para operar o computador. O usuário normal sequer chegava
perto da máquina. Quem quisesse utilizar a nova tecnologia (normalmente militares)
deveria escrever um memorando descrevendo o problema e solicitando sua
resolução. Horas (ou dias) depois, o resultado chegava, também por memorando,
em sua mesa. Além disso, um cálculo simples (por exemplo, 2+2) era caríssimo,
quanto mais o cálculo de balística de mísseis ou a classificação de uma série de
informações. Outro problema era a inflexibilidade do programa: se, em vez de 2+2,
fosse necessário mudar a operação (2-2) ou mesmo alterar um número na mesma
operação (2+1), a programação mudava tão radicalmente que era necessário arrancar
todos os cabos e desligar todas as chaves, e recomeçar do início.
Uma inovação da IBM do final dos anos 30 (pré – 2ª guerra) resolveu o problema
do armazenamento do programa: os cartões perfurados2. Com eles, era?.

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